terça-feira, 5 de julho de 2011

Denúncias de violência doméstica crescem em toda a capital paulista

O Estado de S. Paulo) Com base nas estatísticas de 11 fóruns regionais, uma pesquisa inédita mapeou pela primeira vez os índices de violência doméstica contra a mulher em São Paulo. O mapeamento revela a explosão de registros com o avanço de serviços especializados.

Um exemplo é o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, primeira vara especializada criada há dois anos, no Fórum da Barra Funda. Quando o serviço iniciou, eram 49 casos. A vara fechou 2010 com 2.522 inquéritos e processos em andamento.

O Fórum da Barra Funda aparece no mapa da violência como o campeão em volume de processos e inquéritos, seguido pelo Fórum de Santo Amaro, com 1.595, e Itaquera, 1.385. De acordo com a juíza assessora da presidência da Seção Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo Maria Domitila Domingos, que encomendou a pesquis, a violência doméstica está presente em todas as áreas da cidade - e não só às regiões mais carentes.
"O estudo reforça a necessidade de um trabalho mais especializado", afirma Maria Domitila. Desde que a Lei Maria da Penha foi aprovada, em 2006, a Justiça ganhou instrumentos legais para combater esse tipo de crime. Muitos casos, no entanto, não chegam ao tribunal. Bem antes disso, ainda na delegacia, caem na vala comum dos crimes, e não raro são encarados como uma "briguinha de marido e mulher".

A falta de apoio especializado faz com que muitas mulheres desistem da denúncia principalmente por dependência econômica e por medo do companheiro.
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Leia na íntegra: 
Denúncias de violência doméstica já crescem em toda a capital paulista (O Estado de S. Paulo - 04/07/2011) 
''Registrei três BOs. Antes de ser esfaqueada

52% acham que juízes e policiais desqualificam o problema da violência contra as mulheres

Pesquisa sobre violência doméstica, realizada pelo Instituto Avon e pela Ipsos, revela que 52% dos homens e mulheres acham que juízes e policiais desqualificam o problema da violência contra as mulheres.Veja mais dados e gráficos: Pesquisa Instituto Avon/Ipsos Percepções sobre a Violência Doméstica Contra a Mulher no Brasil 2011 Medo de ser morta paralisa a vítima

A pesquisa "Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil", realizada em 70 municípios brasileiros, com 1.800 homens e mulheres, aponta que o medo de ser morta é outro dos principais motivos que leva a vítima a não romper com o agressor. Na região Centro-Oeste, esse motivo foi apontado por 21% das entrevistadas. No Sudeste, por 15%; no Sul, por 16%. O Nordeste tem o menor índice: 13%.
"É uma vergonha as mulheres não saírem de casa porque podem ser mortas. Ciúme não é paixão. É algo mais complexo. O homem acha que tem posse da mulher. E a sociedade machista é um problema porque acha que a mulher não tem direito à autoestima e nem pode falar, se manifestar", afirmou a socióloga Fátima Jordão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão.
Homens batem "sem motivo"
Segundo Fátima Jordão, uma técnica sofisticada foi utilizada pela primeira vez na pesquisa com a finalidade de obter respostas mais fidedignas. "No capítulo relativo à violência vivenciada por homens e mulheres, os entrevistados preencheram o questionário em sigilo e colocaram em um envelope. Dessa forma, evitou-se que o entrevistado se sentisse inibido ou influenciado." 

Dos homens entrevistados, 15% admitiram já terem agredido  fisicamente as mulheres, sendo que 12% afirmaram ter batido nas companheiras "sem motivo" e 38% por ciúme. 

População não confia na proteção da polícia 

O estudo mostrou ainda que a sociedade não confia na proteção jurídica e policial nos casos de violência doméstica. Essa é a percepção de 59% das mulheres e de 48% dos homens.

"O número de denúncias feitas ainda é pequeno em relação à violência que existe. Isso acontece porque as políticas públicas, que incluem delegacias especializadas e centros de referência para que a mulher confie e vá denunciar, ainda estão aquém da necessidade", afirma Maria da Penha Fernandes, que teve a história de vida como inspiração na criação da Lei Maria da Penha, que completará cinco anos em vigor. Em 1983, Maria da Penha ficou paraplégica após levar um tiro do marido.

Em todo o país há somente 388 delegacias especializadas no atendimento à mulher, 70 juizados de violência doméstica, 193 centros de referência de atendimento à mulher e 71 casas para abrigo temporário.
Acesse a publicação em pdf: Pesquisa Instituto Avon/Ipsos Percepções sobre a Violência Doméstica Contra a Mulher no Brasil 2011

Veja essas matérias na íntegra:
Pesquisa revela que quase metade das mulheres já sofreram violência doméstica (O Globo - 29/06/2011)
 
Quase metade das mulheres já foi agredida pelo companheiro (Jornal da Bandeirantes - 29/06/2011)  
15% dos homens brasileiros admitem já ter agredido uma mulher (iG - 29/06/2011) 
6 em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher vítima de violência doméstica (Folha.com/Empreendedor Social - 29/06/2011)  
15% dos homens brasileiros admitem já ter agredido uma mulher (Mídia News - 29/06/2011)  
Mulheres agredidas em casa temem morte (Jornal do Commercio - 29/06/2011)  
Coisas conjugais, por Luiz Garcia (O Globo - 01/07/2011)  


Governo vai propor aposentadoria para donas de casa

(Folha de S.Paulo) Foi publicada nota antecipando que o governo irá apresentar proposta de aposentadoria para donas de casa de baixa renda mediante contribuição mensal de 5% do sálário mínino. Leia a seguir na íntegra:   

"Copa... Está quase pronta no governo a proposta para que donas de casa de baixa renda tenham direito à aposentadoria mediante contribuição mensal de 5% do mínimo -R$ 27,25. Hoje, o percentual varia de 11% a 20%.

...e cozinha A medida foi defendida no Senado por Gleisi Hoffmann (PT-PR), agora na Casa Civil, e José Pimentel (PT-CE), ex-titular da Previdência. "No mérito, todos concordam. A dúvida é fazer agora ou em outra MP", diz o deputado André Figueiredo (PDT-CE), relator da MP sobre o microempreendedor. Haverá reunião no Planalto na segunda para decidir."

terça-feira, 28 de junho de 2011

Pesquisa: 59% conhecem uma mulher que já sofreu violência doméstica


Pesquisa: 59% conhecem uma mulher que já sofreu violência doméstica


Esses são alguns dos achados da pesquisa Instituto Avon/Ipsos – Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil, divulgada hoje (28/06). Entre 31 de janeiro a 10 de fevereiro de 2011, foram entrevistados 1.800 homens e mulheres acima de 16 anos que vivem nas cinco regiões brasileiras. A pesquisa contou com a contribuição do Instituto Patrícia Galvão e da Palas Athena.

Trata-se do segundo estudo sobre o tema realizado pelo Instituto Avon. 
O primeiro foi feito em 2009, em parceria com o Ibope.
 
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“A pesquisa divulgada hoje pelo Instituto Avon contribui para a compreensão das atitudes e percepções sobre violência 
doméstica aqui no Brasil, como também abre oportunidades para educação e recursos que vão não somente assistir as vítimas no curto prazo, como também colaboram para por fim no ciclo da violência contra as mulheres no longo prazo.”

Andrea Jung, presidenta mundial da Avon 

59% conhecem uma mulher que já sofreu violência doméstica
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“Ao mostrar que 59% dos entrevistados declaram conhecer alguma mulher que já sofreu agressão, a pesquisa nos indica que estamos conseguindo quebrar - mesmo que devagar, mas com consistência - a ideia de ‘naturalidade’ da violência contra a mulher. Há um crescimento da tomada de conhecimento dessa violência no país, não só da sociedade, mas do Estado brasileiro, que esteve distante de políticas públicas para enfrentar esse problema.”
Iriny Lopes, ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República

94% conhecem a Lei Maria da Pena, mas apenas 13% sabem o conteúdo
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“O problema da violência doméstica é muito sério e vai se tornar cada vez mais visível. A Lei Maria da Penha ainda é nova; quanto mais a Lei se tornar conhecida, mais casos de mulheres que sofrem violência irão aparecer. A partir da Lei, as pessoas conseguem identificar que uma amiga, uma vizinha sofre violência.
A Lei está mostrando para o país que a violência contra a mulher é muito grande. Mas ela precisa ser mais conhecida e a imprensa tem um papel fundamental em divulgá-la. Não só jornais, rádios, mas também os programas infantis devem, de forma leve, mostrar para as crianças o que é a violência e orientá-las para pedir ajuda. Uma criança que vivencia um pai agredindo uma mãe também é uma vítima.”
Maria da Penha Maia Fernandes, biofarmacêutica que deu nome à Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que coíbe e pune a violência doméstica contra as mulheres 

62% reconhecem a violência psicológica
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“A pesquisa demonstra, com números contundentes, que a percepção de homens e mulheres sobre a gravidade da violência contra a mulher avança na sociedade brasileira. Hoje, 62% da população já reconhece a violência psicológica como uma forma de violência doméstica.”

Jacira Melo, diretora do Instituto Patrícia Galvão


Método inédito: anonimato permite dados mais próximos da realidade
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“Esta é a primeira pesquisa que capta informações de homens e mulheres em condição de anonimato. Em certo momento da entrevista, as pessoas preenchem algumas perguntas sem se identificarem, nos revelando um comportamento o mais próximo possível da realidade. Um dos fatos mais importantes revelados pela pesquisa é que 62% reconhecem aspectos bastante diferenciados do que seja a violência, como agressões verbais, humilhação, ameaças e outras formas de violência psicológica. Até pouco tempo atrás, não tínhamos esse tipo de percepção.
Na música, no cinema, a imagem é sempre do tapa, do soco, da agressão física. A pesquisa aponta que a percepção da violência está sendo redefinida. Importante também que o estupro doméstico, pela primeira vez, é identificado como forma de violência.”
Fátima Jordão, socióloga, especialista em pesquisas de opinião e conselheira do Instituto Patrícia Galvão  

27% das mulheres entrevistadas declararam já ter sido vítimas de violência doméstica – enquanto apenas 15% dos homens admitiram ter praticado esse crime
 
juniapuglia_mm7"Um dado importante e inovador da pesquisa é a inclusão e o reconhecimento do sexo forçado como uma forma de violência, porque a disponibilidade sexual das mulheres é um dado quase pacífico nas relações afetivas. É a primeira vez que o tema estupro aparece e isso mostra um avanço na percepção das mulheres sobre si mesmas, que passam a não concordar mais com o ato sexual com a obrigação de atender o homem e estar sempre disponível para o marido."
Júnia Puglia, coordenadora de Programa da ONU Mulheres Brasil e Cone Sul  
Mais informações: 
Betina Piva: 
redacao.betina@ppagina.com  
(11) 5575-1233, ramal 212 – (11) 9464-2098
Instituto Avon Instituto Avon Lança Pesquisa Inédita Sobre Violência Doméstica 
Fonte(Agencia Patricia Galvão)  

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Vadias por quê?

Coisas que causam o estupro. Não é bebida, andar só, nem usar roupa sexy. É o estuprador. 10 mulheres são estupradas por dia. E isso não é piada de mau gosto de Rafinha Bastos - um dos apresentadores do CQC. Eram muitas as manifestações. Cartazes, palavras de ordem, pulos contra o machismo e vaias para os misógenos. Um sábado diferente na zona central de Brasília. Aos poucos elas foram chegando. 18 de junho de 2011. Cenas que entraram para a história do Distrito Federal, tão acostumado a manifestações de trabalhadores, índios, sem terra e outras tantas categorias, vindos de todas as partes do país que desejam protestar no centro do poder.

Uma organização diferente. Convocação pela internet para a Marcha das Vadias, um movimento que começou no Canadá e se espalhou pelo mundo.

mosaico marcha das vadias

Centenas de mulheres de idades diversas e homens solidários à causa saíram às 13h40 do Conjunto Nacional. Uma percussão de baldes e latas, surdos e apitos, misturados às vozes revezadas ao microfone puxando o coro das “bacantes”, seguiu pela pista. Margeando o estacionamento, ocupando duas das três faixas do Eixinho, entre buzinas simpáticas ao protesto, seguia a multidão. Muitos fotógrafos, cinegrafistas profissionais, amadores. Celulares e câmeras para registrar o instante que entra para a história, memória da cidade, do movimento de mulheres.

Um caminhar tranqüilo e seguro, de quem sabe de seus direitos e segue em frente para vê-lo sair das páginas da lei, aprisionada, imobilizada pelo preconceito. Sociedade machista, complacente com a violência. Apitos para acordá-la. Cartazes para lembrá-la. Provocações à mente, ao comportamento vigente. Nada pode ser como antes.

O mundo gira, as mulheres avançam pela avenida, invadem a rodoviária de Brasília. Tudo diante de impassíveis policiais, pedestres e comerciários desavisados, sem entender bem o que diziam e queriam aquelas 1.000 mulheres vestidas de forma diversa, variações de vadias, versões religiosa, meio santa, meio puta, de mini-saias, fazendo top less. Acima de tudo mulheres livres, rebeldes, anárquicas.

E quem achou que anarquia não combinava com organização se esqueceu que no centro de tudo, acima de tudo existe uma causa. Candangos, pessoas em terra estrangeira, na secura do Cerrado daquele sábado quente sem uma nuvem sequer no céu, foram interrompidos em sua rotina. Das estudantes à frente do cortejo inusitado com frases escritas em batom no peito “esse corpo não lhe pertence”, ou “o corpo é meu”, das feministas da marcha das mulheres, das ONGs, dos homens que ousaram dizer que não eram leões e que “ser muito macho é sinal de estupidez”. Nada disso passou despercebido nas plataformas de ônibus, na impaciência de motoristas que seguiam rumo à Esplanada dos Ministérios pelo Eixo Monumental e foram surpreendidos por uma horda de vadias que pararam o trânsito em frente ao Conic, durante o trajeto rumo ao Parque da Cidade.

Um movimento para ficar na memória de quem aderiu, das que saíram das telas dos computadores e ganharam vida na rua, daquelas que já estão nela há muito tempo lutando por dias mais iguais e se juntaram às novas feministas, em sua forma de ver e perceber o mundo.

A provocação, essa insistência que leva o outro a pensar, mesmo que a revelia, mesmo que arrastado, pego de surpresa no ponto de ônibus, isso muda o próprio modo de pensar. E porque não? Afinal: você é um homem, ou um leão?


Lena Azevedo
Assessora de Comunicação da Secretaria de Políticas para as Mulheres
 

"Erradicar a fome é uma meta razoável e alcançável', diz José Graziano

(O Globo) "Precisamos erradicar a fome e ajudar os países mais pobres. Estou convencido, com base em minha experiência no Brasil e em outros países, que erradicar a fome é uma meta razoável e alcançável",  disse o brasileiro José Graziano da Silva, após ser eleito diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação).

Primeiro latino-americano a ocupar o posto, José Graziano ganhou do espanhol Miguel Angel Moratinos, por 92 votos contra 88.
O resultado foi recebido com "enorme satisfação" pela presidenta Dilma Rousseff, segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do Palácio do Planalto. Com a vitória, a presidenta teve sua primeira grande vitória na área diplomática.
Ainda segundo a nota, a eleição de Graziano é uma forma de reconhecimento internacional ao Brasil. "A vitória do candidato brasileiro reflete, igualmente, o reconhecimento pela comunidade internacional das transformações socioeconômicas em curso em nosso país - que contribuem de forma decisiva para a democratização de oportunidades para milhões de brasileiras e brasileiros -, bem como o compromisso do Brasil de inserir o combate à fome e à pobreza no centro da agenda internacional. Um objetivo possível de ser alcançado com o fortalecimento do multilateralismo e com o aprofundamento da solidariedade e da cooperação entre as nações e os povos".
Engenheiro agrônomo, economista, professor e escritor, Graziano já ocupou o cargo de diretor regional da FAO e foi ministro da Segurança Alimentar e do Combate à Fome entre 2003 e 2004, no primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Ele coordenou a elaboração do programa Fome Zero, dando também início à sua implementação.
Ministra do Desenvolvimento Social elogia escolha de Graziano para a FAOA ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, divulgou nota elogiando a eleição de Graziano para o cargo de diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
"Hoje é um dia histórico e de grande alegria para o Brasil. A eleição de José Graziano da Silva como novo diretor-geral da FAO consolida o Brasil como referência internacional em promoção de políticas de segurança alimentar e nutricional e inclusão social não somente ao seu povo, mas para os demais países do mundo", afirmou.
"Recentemente, o presidente Lula foi um dos vencedores do prêmio World Food Prize 2011 por sua atuação em favor do desenvolvimento humano ao melhorar a qualidade, quantidade e disponibilidade de alimentos no mundo a partir do Fome Zero. Graziano é parte dessa trajetória e ajudará a colocar o combate à fome no centro da agenda mundial. Sua eleição contribuirá para caminharmos na direção de um mundo sem fome e com mais e melhores oportunidades de vida para todos", diz a nota.
  

Renda das domésticas cresce acima da média

(Folha de S.Paulo) As empregadas domésticas tiveram ganhos salariais acima da média da população brasileira nos últimos anos, segundo pesquisa do DataPopular, realizada a pedido do jornal Folha de S.Paulo com base em dados do IBGE. Um dos motivos para essa valorização profissional foi a redução na oferta de mão de obra. O rendimento médio individual das domésticas cresceu 43,5% entre 2002 e 2011, já descontados os efeitos da inflação. No mesmo período, os ganhos dos brasileiros aumentaram 25%.

"Há cada vez menos trabalhadoras interessadas em fazer serviços domésticos, porque elas estão encontrando outras oportunidades", diz Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular.

Outro motivo para esse crescimento real foi a valorização do salário mínimo nos últimos anos. "Como o salário de muitas é vinculado ao piso, o impacto na categoria é grande", afirma o economista Claudio Salvadori Dedecca, da Unicamp, estudioso do mercado de trabalho.

Em relação à redução da oferta dessa mão de obra, o diretor do Data Popular destaca ainda que ela veio com o aumento na escolaridade. "Quase dobrou o número de trabalhadoras que chegaram ao ensino médio nos últimos nove anos. Com estudo, podem buscar outros campos para atuarem." Hoje, 23,% têm ensino médio e têm 1,3% superior, frente 12,7% e 0,7% em 2002, revela o levantamento.

A presidente da Fenatrad (Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos), Creuza Maria Oliveira, concorda com essa avaliação.
"As mais jovens, que conseguiram estudar porque hoje há mais facilidades, estão indo para o mercado atrás de outras oportunidades. A maioria não quer trabalhar como doméstica", afirma a dirigente.

Apesar disso, o segmento ainda emprega 6,02 milhões -sem considerar motoristas, jardineiros e limpadores de piscina. Com eles, o número sobe para cerca de 7 milhões. "O emprego doméstico não está em rota de extinção, como há algumas décadas se chegou a cogitar. Continua em expansão, mas em um ritmo menor e com aumento de custos", afirma Dedecca.

Segundo a presidente da Fenatrad, está em curso um "envelhecimento" da categoria. "Com menos jovens dispostas a atuar nos serviços domésticos, ocorre essa tendência de que as profissionais atuando sejam as mais velhas." A pesquisa mostra que a idade média passou de 35 anos, em 2002, para 39 anos, em 2011.