domingo, 23 de outubro de 2011

Assédio sexual no transporte: um crime banalizado pela superlotação e invisibilizado pelo constrangimento das vítimas




(Agência Patrícia Galvão/Metrô News/Diário de S.Paulo/Estadão.com/R7) O Metrô de São Paulo registrou mais um caso de violência sexual. Desta vez, a vítima foi uma estudante de 21 anos que foi molestada por um advogado dentro de um vagão da Linha 3-Vermelha, por volta das 18h40 da sexta-feira. Segundo a Delegacia do Metropolitano (Delpom), em 2011 enquanto o Metrô registrou 53 casos de abuso contra mulheres, na CPTM, o número foi de 23 casos neste ano. O Sindicato dos Metroviários está em campanha contra o assédio sexual e para que as mulheres não se sintam constrangidas em denunciar as violências sofridas.
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a estudante relatou que o corregedor Walter Dias Cordeiro Júnior colocou o pênis para fora da calça e passou a se esfregar nela. Em pé, dentro do trem lotado, ele teria impedido a jovem de deixar o vagão. Ela começou a passar mal e, quando os usuários foram socorrê-la, descobriram que estava sendo molestada.
Seguranças do Metrô levaram o advogado para a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom). Ele foi preso em flagrante por violência sexual mediante fraude (quando o acusado tira a capacidade de resistência da vítima). O corregedor foi solto no dia 18 da carceragem do 31.º Distrito Policial, após pagamento de fiança.
Segundo informações de um funcionário do distrito policial, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) recusou representá-lo pelo crime não ser funcional, isto é, por não estar ligado às atividades profissionais dele.

Cordeiro Junior foi desligado, no dia 17, dos quadros da Corregedoria Geral da Administração, órgão da Casa Civil do governo do Estado de São Paulo, onde trabalhava desde 2002.

Acusado de molestar estudante no metrô é solto e perde o cargo de corregedor (O Estado de S. Paulo - 19/10/2011)
Corregedor é suspeito de abuso no metrô (Folha de S.Paulo - 18/10/2011)
Advogado é preso no metrô por molestar estudante (O Estado de S. Paulo - 16/10/2011) 
Em SP, estudante é molestada por advogado dentro de um vagão do Metrô (Estadão.com - 15/10/2011)Outros crimes sexuais no metrô
O Metrô e a CPTM registraram, até julho deste ano, 43 casos de assédio contra passageiras. As reclamações formais nunca foram significativas, devido ao constrangimento das vítimas.

Um dos casos registrados ocorreu na Estação Sacomã, da Linha 2-Verde, na zona sul, foi filmado por câmeras de segurança. Uma professora de 34 anos foi atacada depois de pedir informações para um homem.
Em abril deste ano, o Metrô registrou também o primeiro caso de estupro dentro de um trem. Uma supervisora de vendas que seguia na Linha 2-Verde, no sentido da Vila Madalena, foi violentada por um homem com as mãos.
Na época, o Metrô havia prometido intensificar a instalação de câmeras nos vagões. -Câmera do metrô de SP flagra tentativa de abuso sexual

Superlotação serve como desculpa

O delegado Valdir de Oliveira Rosa diz que "a maioria das mulheres não quer publicidade". Já os acusados alegam inocência. "Sempre dizem que encostaram porque estava lotado. Esse problema é facilitado pela superlotação porque, "quando está como uma sardinha em lata, a pessoa se sente anônima, ninguém vê nada e não tem nem como reagir", avalia Cláudio de Senna Frederico, ex-secretário dos Transportes Metropolitanos.-
 Assédio sexual no metrô incomoda usuário (Folha.com - 05/09/2005)
Leia também: Para coibir o assédio sexual, ônibus que só permitem mulheres fazem sucesso na Guatemala (Zero Hora - 19/10/2011)

Números não espelham a realidade
Marisa dos Santos Mendes, diretora da Secretaria de Assuntos da Mulher do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, afirmou que apesar de ser o número oficial, os 53 casos registrados em 2011, não correspondem à realidade do problema. Segundo Marisa, em um espaço onde circulam quase 4 milhões de pessoas por dia, os casos de importunação contra as mulheres são superiores aos oficiais, e essa lacuna se deve principalmente ao medo das vítimas de registrarem as ocorrências. “É a única estatística que temos, mas muitos casos não são registrados. As mulheres ficam constrangidas de denunciar, contar e o sentimento é ruim. Às vezes, têm medo, se acham culpadas, passam mal, mas não vão as delegacias”, diz Marisa. Metrô registra mais ataques contra mulheres do que CPTM (Metrô News - 21/10/2011 Metrô registra 5 casos mensais de assédio sexual (Diário de S.Paulo - 18/10/2011)
Metroviários em campanha contra assédio sexual

“Estamos em campanha contra o assédio sexual nos transportes públicos. É um problema que tem crescido”, diz Marisa dos Santos Mendes. Leia também: Sindicato dos Metroviários de São Paulo formalizou o pedido de retirada do quadro "Metrô Zorra Total".

Indicação de fontes


Marisa dos Santos Mendes - diretora da Secretaria de Assuntos da Mulher do Sindicato dos Metroviários de São Paulo
(11) 2095.3600 - mulher@metroviarios-sp.org.br

Bárbara Soares – pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Candido Mendes
(21) 2531.2033 / 9854.4412
Maria Amélia de Almeida Teles (Amelinha) – coordenadora do Programa de Promotoras Legais Populares e da União de Mulheres de São Paulo
(11) 3283.4040 / 9601.4800 - amelinhateles@globo.com
Wania Pasinato – socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP
(11) 3091.4951 / 9263.8365 - waniapasinato@uol.com.br

segunda-feira, 10 de outubro de 2011


Se toque !
ANTES mais CEDO do que TARDE demais.
Mulher Consciente na Luta contra o Câncer de Mama..
Ame e viva a vida e aqueles que estão ao seu lado!

Congresso Nacional adere ao movimento Outubro Rosa


Da Agência Brasil
Brasília - O Congresso Nacional receberá iluminação especial na noite de hoje (5). A cor rosa, que alerta para o problema do câncer de mama no mundo, tomará conta do Senado e da Câmara dos Deputados. A iniciativa integra as ações do Outubro Rosa, movimento mundial de mobilização pela conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença.
O Outubro Rosa chegou ao Brasil em 2008 por iniciativa da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama). O movimento prevê ações durante todo o mês em várias cidades do país, entre elas a iluminação de prédios e monumentos históricos na cor rosa, como o Cristo Redentor e o Santuário Nossa Senhora da Penha, no Rio de Janeiro.
Em Brasília, além da iluminação do Congresso Nacional, a programação do Outubro Rosa inclui palestra amanhã (6) de outubro, às 9h, na Câmara dos Deputados, aberta a funcionários, congressistas e à comunidade em geral.
Edição: Graça Adjuto

Palácio do Planalto adere à campanha Outubro Rosa, que alerta para a prevenção do câncer de mama

Da Agência BrasilAgenciaBrasil10102011VAC 3801
Brasília - Palácio do Planalto com iluminação cor-de-rosa. O monumento adere à campanha Outubro Rosa, que alerta para a prevenção do câncer de mama
AgenciaBrasil10102011VAC 3804

















Três mulheres são as ganhadoras do Prêmio Nobel da Paz


(UOL/Folha de S.Paulo/O Estado de S. Paulo/ O Globo) O Comitê Nobel da Noruega anunciou como ganhadoras do Prêmio Nobel da Paz: a presidente da Libéria, Ellen Sjohnson-Sirleaf, a militante pela paz também liberiana Leymah Gbowee e a ativista iemenita da Primavera Árabe, Tawakkul Karman. As três foram escolhidas por suas participações em processos de pacificação e na busca de segurança para as mulheres e garantia de seus direitos.
Leymah Gbowee, ativista liberiana
leymah_gboweePara se eleger a primeira presidenta da Libéria, Johnson-Sirleaf contou com a ajuda da ativista africana Leymah Gbowee, que ajudou a organizar o movimento de paz que colocou fim à Segunda Guerra Civil da Libéria, em 2003, e conduziu à eleição da também ganhadora do Nobel. Formou-se em terapia e trabalhou com os meninos soldados de Taylor após o fim do conflito.

A também liberiana Leymah Gbowee é o rosto mais conhecido do seu país no que tange aos esforços de paz. Trabalhou com mulheres e crianças que atuaram como soldados para Charles Taylor. Foi quando ela percebeu que "qualquer mudança dentro da sociedade (liberiana) teria de partir das mães".

Gbowee já recebeu diversos prêmios por seus trabalhos humanitários, sobretudo em relação aos direitos das mulheres, e desde 2006 ocupa o cargo de diretora-executiva da Rede Paz e Segurança – África, organização que trabalha com mulheres na Libéria, Costa do Marfim, Nigéria e Serra Leoa para gerar transformações positivas através do ativismo pela paz, educação e política eleitoral.

Ellen Sjohnson-Sirleaf, presidente da Libéria

Johnson_SirleafJohnson-Sirleaf, de 72 anos, era uma forte candidata ao prêmio por ser a primeira mulher africana eleita presidenta democraticamente, por ter colocado um fim ao conflito armado na Libéria e contribuído à queda do presidente anterior, Charles Taylor, julgado por crimes contra a humanidade por um tribunal internacional.

Nascida na capital Monróvia em 1938, Johnson-Sirleaf chegou ao poder nas eleições de novembro de 2005, ao vencer seu principal oponente, o ex-jogador de futebol George Weah.

A luta contra a corrupção e por profundas reformas institucionais na mais antiga república da África ao sul do Saara, sempre esteve no centro de sua ação política a levou para a prisão em duas oportunidades nos anos 1980 sob o regime de Samuel Doe.

Tawakkul Karman, jornalista e ativista iemenita

Tawakkul_KarmanTawakkul Karman, 32, é uma opositora do regime do presidente do Iêmen, Abdullah Saleh, e chegou a ser ameaçada de morte ao recusar um cargo no governo do país. Ele lidera principalmente um movimento de resistência da juventude iemenita, embora também tenha ligações com partidos políticos do país, no caso o Islah.

A jornalista e ativista do Iêmen Tawakkul Karman se divide entre a atuação no partido de oposição , Islah, e a direção da organização Women Journalists Without Chain ("Mulheres Jornalistas sem Correntes"), fundada por ela em 2005. Mãe de três filhos, é uma das ativistas mais atuantes na busca de mais espaço e poder para as mulheres e mais atenção aos direitos humanos.

No início deste ano, ela já havia sido premiada com o Internacional Women of Courage Award (Prêmio Internacional Mulheres de Coragem). Na cerimônia realizada nos EUA, recebeu elogios da primeira dama americana, Michele Obama, e da secretária de Estado, Hillary Clinton, por sua luta pelos direitos das mulheres.
"Estou muito feliz com este prêmio. O dedico à juventude que está fazendo a revolução no Iêmen e à população iemenita", disse ela à Associated Press ao comentar o prêmio. 
"Prêmio reconhece papel das mulheres na revolução", diz ativista Asmaa Mahfouz (Folha de S.Paulo - 08/10/2011)

É a primeira vez em que três mulheres recebem, juntas, o Nobel da Paz
Nos 110 anos de entrega do Nobel, 15 mulheres receberam o prêmio pela Paz, incluindo as três deste ano. O número de homens é 85.
43 mulheres já receberam um Prêmio Nobel entre 1901 e 2011: 15 Paz; 12 Literatura; 10 Medicina; 4 Química; 2 Física; 1 Economia.
Prêmio envia recado a novos líderes árabes
"O triplo prêmio Nobel da Paz, anunciado ontem na Noruega, foi visto como um reconhecimento do papel da mulher nos processos de paz e de mudanças política e social. Ao escolher estas três mulheres, o comitê do Nobel destaca, ainda, a luta pela reconciliação nacional na Libéria e os movimentos pró-democracia da Primavera Árabe."
"— Não podemos conseguir a democracia e uma paz duradoura a menos que as mulheres obtenham as mesmas oportunidades que os homens — disse Jagland, ex-premier da Noruega. "

"O prêmio foi elogiado por vários governantes e grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama, ganhador do Nobel da Paz em 2009, destacou que países que respeitam as mulheres são mais bem-sucedidos."

Leia na íntegra:
Trio de mulheres vence o Nobel da Paz (Folha de S.Paulo - 08/10/2011)
Trio de mulheres vence o Nobel da Paz (O Estado de S. Paulo - 08/10/2011)
Três mulheres são as ganhadoras do Prêmio Nobel da Paz (UOL - 07/10/2011)

Mulheres são assassinadas principalmente por parceiros ou familiares, diz ONU

Lar é o lugar onde ocorre a maioria desses assassinatos
Os assassinatos de mulheres ocorrem principalmente dentro de suas próprias casas, de acordo com o novo relatório da Unodoc (Agência da ONU contra Drogas e o Crime), divulgado nesta quinta-feira (6). O documento diz ainda que esses crimes são cometidos principalmente por pessoas conhecidas pelas vítimas, como maridos, ex-maridos e membros da família.
De acordo com o documento da Unodoc, “na maior parte dos países, o assassinato cometido por parentes ou companheiros é a principal causa de morte das mulheres”.
Segundo o documento, em 2008, de todas as mulheres assassinadas na Europa, 35% morreram por crimes cometidos por seus maridos ou ex-maridos, e 17% por ação de familiares.
Já quando se analisam os assassinatos de homens nesta região, apenas 5% morreram nas mãos de mulheres e ex-mulheres, e quase 10% por membros da família.
Além da Europa, o estudo mostrou dados semelhantes na Austrália, Canadá, Israel, África do Sul e Estados Unidos. Nestes locais, as taxas das mulheres assassinadas por parceiros ou membros da família variam entre 40% e 70%.
Já nos países com taxas de homicídio mais altas, como é o caso da América Latina e da África , a maior parte dos crimes ocorrem nas ruas. Isso se deve à maior presença dos chamados “crimes de rua”, diz o documento da ONU, como os relacionados ao tráfico de drogas, ao crime organizado, à ação de gangues e a roubos.
No entanto, neste caso, as principais vítimas são homens jovens. E a maioria dos assassinos são pessoas desconhecidas da vítima, diz o relatório da Unodoc.
- É por essa razão que o lar é o local onde as mulheres têm mais chances de ser assassinadas. Já os homens correm maior risco nas ruas ou em áreas públicas.
Desigualdade entre homens e mulheres
De acordo com o documento, a violência contra as mulheres ocorre em todo tipo de cultura e se expressa de várias formas, seja física ou sexual, e até abuso psicológico e econômico.
- A violência contra as mulheres é global, sistêmica e, muitas vezes, se baseia em desequilíbrios de poder e desigualdades entre homens e mulheres.
Os fatores que levam a esse tipo de assassinato se relacionam à violência doméstica, desemprego do parceiro masculino, posse de arma de fogo, uso de drogas e de álcool, além de ameaça de separação, ciúme sexual e sentimento de dominação por parte dos homens.
A agência da ONU informa ainda que a taxa de crimes cometidos por parentes e parceiros tem se mantido a mesma na última década. Já os crimes com outras causas apresentaram queda recentemente.


 Fonte - R7 Noticias

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Um terço dos homens no Morro dos Prazeres já agrediu uma mulher, diz pesquisa (R7)


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(Portal R7) Um levantamento divulgado pela ONG Promundo mostra que mais de 35% dos homens entrevistados já praticaram algum tipo de violência contra as próprias parceiras no Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, região central do Rio de Janeiro. Mas só 20% dos casos foram denunciados.

A pesquisa também revela que 65% dos entrevistados já presenciaram parentes, amigos ou conhecidos cometendo algum tipo de violência contra mulheres. Mais de 40% relataram que a violência testemunhada foi praticada contra a mãe do agressor.