sábado, 17 de março de 2012

Mulheres ocupam metade do primeiro escalão na Prefeitura de Belém

Izabelle de Mesquita/Fotos:Adriano Magalhães

A Prefeitura de Belém tem hoje 250 mulheres que comandam com competência e determinação áreas estratégicas no poder público municipal, que representam 47% dos cargos do primeiro escalão. 

Em 2007, o prefeito Duciomar Costa foi destaque em uma pesquisa realizada pela Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres (SPM), da Presidência da República, justamente por valorizar a força do trabalho feminino.

Em 2010, o Prefeito de Belém instituiu a Coordenadoria da Mulher de Belém (Combel), a fim de promover políticas públicas para erradicar todo e qualquer tipo de discriminação e preconceito com as mulheres de Belém. De acordo com Kendra Botelho, titular da Combel, cada vez mais as mulheres conquistam o seu lugar em postos de destaque nas esferas sociais. “Sabemos que a luta é grande e diária, porém não vamos desistir enquanto houver desigualdade” afirma.

Para a secretária municipal de Economia, Ociane Vasconcelos, fazer parte desse grupo é uma grande satisfação, ela acredita que a inserção das mulheres no mercado de trabalho cresce a cada dia. “Hoje a inserção da mulher no mercado de trabalho acontece de maneira bem mais notória, e cresce exponencialmente o número em postos diretivos nas empresas. Mostrando que essa desigualdade hoje já não existe com tanta intensidade”, acredita.

Apesar desse avanço, Vasconcelos frisou ainda a existência do preconceito em determinadas situações. “Apesar das conquistas referentes à inserção da mulher no mercado de trabalho, o preconceito ainda é predominante. Principalmente na questão salarial, na qual o cargo e obrigações são as mesmas, mas os salários das mulheres são menores”, ressalta.

No secretariado municipal as mulheres que fazem parte do primeiro escalão são: Alynne de Nazaré Athayde, Secretária Municipal de Assuntos Jurídicos; Therezinha Moraes Gueiros, Secretária Municipal de Educação; Sylvia Christina de Oliveira Santos, Secretária Municipal de Saúde; Ociane Vasconcelos da Luz, Secretária Municipal de Economia ; Camilla Penna de Miranda Figueiredo, Secretária Municipal de Meio Ambiente.

À frente da Auditoria e Ouvidoria Geral do Município de Belém está Maria de Nazareth Oliveira Maciel, na Inspetoria Geral da Guarda Municipal de Belém (Gbel), Ellen Margareth da Rocha Souza; na Presidência da Fundação Papa João XXIII (Funpapa), Maria Silva Costa e na Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana (Codem) a Diretora Presidente é Pilar Nogueira.

No comando da coordenação dos programas municipais estão: Duty Monteiro, do Programa Ama Belém; Suely Cristina Yassué Sawaki Mouta Pinheiro, do Programa de Saneamento da Bacia da Estrada Nova (Promabem) e Elaine Monteiro, do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Regional Belém (Cerest).

O Departamento de Urgência e Emergência da Sesma é dirigido por Regina Maroja, no Departamento de Vigilância Sanitária (Devisa) está Patrícia Pina e no Departamento de Vigilância em Saúde, Carlene Castro. Na direção do Centro de Controle Zoonoses está Regina Peresino. E das 29 Unidades Municipais de Saúde, 22 são dirigidas por mulheres.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Profissionais da área da saúde e rede de atendimento a Mulher de Belém recebem capacitação




A Secretaria Especial da Mulher da Presidência da Republica-SPM, Núcleo da Saúde do Adolescente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro-UERJ, Projeto Rede de Apoio a Mulher Adolescente-RAMA , com apoio do Governo do Estado do Pará- Coordenadoria da Mulher Estadual-CPDM,Prefeitura de Belém por meio da Coordenadoria da Mulher de Belém -COMBEL, estão realizando Curso de Sensibilização Mulher Adolescente e Jovem, dias 15 e 16/03/2012 na escola de Governo do Estado. O objetivo do curso é Possibilitar uma atenção diferenciada, especialmente de saúde, às mulheres adolescentes e jovens em situação de violência. visando melhoria no atendimento a mulheres adolescentes e uma intervenção Ética e Humanizada


O Curso é ministrado pela professora Stela Taquette, adjunta do núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente da Uerj, e a psicóloga do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Atenção ao Uso de Drogas da Uerj, Érika Canarim, No  curso destacam a importância dos cuidados diferenciados a mulheres jovens ou adolescentes que estão em situação de violência , a prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres Adolescente e Jovens.







O Projeto Rede de Apoio à Mulher Adolescente (RAMA). foi elaborado em 2005 , pareceria da SPM e Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente (NESA), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), e com o apoio da SPM, o RAMA vem realizando nas cidades brasileira o curso de sensibilização Interdisciplinar sobre Violência contra a Mulher Adolescente/Jovem . O principal objetivo do RAMA é contribuir com a formação de profissionais de saúde para a prevenção e o enfrentamento da violência que envolve mulheres adolescentes e jovens.

terça-feira, 13 de março de 2012

PNUD incentiva o empoderamento feminino como forma de fortalecer os partidos políticos

Nova York e Brasília, 08/03/2012Guia promove participação política das mulheres
Publicação do PNUD incentiva o empoderamento feminino como forma de fortalecer os partidos políticos
UNDP


do PNUD
Com a pouca representatividade das mulheres nos altos escalões políticos e no processo de tomada de decisão, um novo guia produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e peloNational Democratic Institute (Instituto Nacional Democrático) está mostrando aos partidos políticos como eles podem começar a corrigir este desequilíbrio, apoiando a participação das mulheres no processo eleitoral.
Empowering Women for Stronger Political Parties (Empoderando as Mulheres para Partidos Políticos mais Fortes) é uma publicação que busca promover a participação política das mulheres. Lançado recentemente pela Administradora do PNUD, Helen Clark, o guia identifica casos de sucesso que mostram como os partidos políticos podem promover a participação das mulheres nas tomadas de decisões em todos os níveis. O público-alvo são líderes de partidos políticos, organizações da sociedade civil e ativistas que atuam na causa da igualdade de gênero.
“Com menos de 20% dos assentos parlamentares do mundo ocupados por mulheres, é claro que os partidos políticos precisam fazer mais – e devem ser incentivados nesses esforços – para apoiar a capacitação política das mulheres”, disse Helen durante a 56ª Comissão sobre o Estatuto das Mulheres, realizada na última semana de fevereiro em Nova York.
No Brasil, a baixa proporção de mulheres ocupando cadeiras no Congresso Nacional foi motivo de cobrança dos peritos que fazem parte do Comitê das Nações Unidas para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Cedaw). O país tem hoje mulheres em pontos-chave da administração federal, começando pela presidenta da República, Dilma Rousseff, e o número histórico de dez ministras que fazem parte de seu governo. Apesar disso, a atual bancada feminina na Câmara Federal representa apenas 8,77% do total da Casa, com 45 deputadas. No Senado, de um total de 81 lugares, apenas 12 são ocupados por mulhres.
Embora o direito das mulheres de participar da vida política seja garantido por várias convenções internacionais, dentro dos partidos políticos elas tendem a ser sub-representadas em posições de poder ou atuar em papéis coadjuvantes, diz o guia. O livro constata que, sem acesso a redes estabelecidas de influência e com recursos muito limitados, poucos modelos e mentores, é compreensível que a proporção de mulheres no alto escalão dos partidos políticos tenha se mantido bem abaixo da participação dos homens em todo o mundo.
Globalmente, embora as mulheres constituam de 40% a 50% dos membros de partidos políticos, elas ocupam apenas 10% dos cargos de liderança. O guia cita 20 exemplos de países que tomaram medidas positivas para alterar esse cenário, aumentar a participação política das mulheres e a inclusão no processo eleitoral.
Reconhecimento da ONU às mulheres rurais
Este ano, a ONU está dedicando o Dia Internacional da Mulher às trabalhadoras rurais. Apesar de compor um quarto da população mundial, este público ainda figura rotineiramente na parte inferior de cada indicador econômico, social e político.
“Somando quase meio bilhão de agricultoras familiares e trabalhadoras sem terra, as mulheres rurais são uma parte importante da força de trabalho agrícola. Elas executam a maior parte do trabalho não remunerado nas áreas rurais. No entanto, continuam a ser impedidas de atingir seu potencial”, alertou o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, em mensagem alusiva à data. Segundo Ban, se as mulheres rurais tivessem igual acesso aos recursos produtivos, a produção agrícola aumentaria até 4%, reforçando a segurança alimentar e nutricional e aliviando a fome de cerca de 150 milhões de pessoas. “As mulheres rurais, se tiverem chance, também podem ajudar a acabar com o desenvolvimento oculto da tragédia da desnutrição, que afeta quase 200 milhões de crianças em todo o mundo”, disse o Secretário-Geral.
Ban finalizou sua mensagem recomendando comprometimento dos governos, da sociedade civil e do setor privado com a luta pela igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres, como um direito humano fundamental e uma força em benefício de todos. “A energia, o talento e a força das mulheres e meninas representam o mais valioso recurso natural inexplorado da humanidade.”
Brasília e Rio de Janeiro, 12/03/2012Secretário-Geral da Rio+20 se diz otimista com preparativos para a Conferência
Sha Zukang encerrou missão no país no último sábado; dirigente reuniu-se com autoridades brasileiras diretamente envolvidas na organização do evento e acertou detalhes logísticos
PNUD/Daniel de Castro
do PNUD
O Secretário-Geral da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Sha Zukang, encerrou no último sábado (10) missão no Brasil elogiando o trabalho que está sendo feito para a realização da Rio+20.
Durante quatro dias, o dirigente reuniu-se em Brasília e no Rio de Janeiro com autoridades brasileiras envolvidas no evento para finalizar, principalmente, os detalhes logísticos do encontro. O último compromisso da agenda, uma reunião entre representantes da ONU e do Comitê Nacional de Organização (CNO) da Rio+20, liderada pelo Ministro Laudemar Aguiar, ocorreu na capital fluminense.
Na oportunidade, Sha Zukang fez um balanço positivo da missão e de seus resultados. “Eu estou realmente tocado pela mobilização do Rio para a Conferência que será realizada no Brasil. O grau de entusiasmo e compromisso é extraordinário. A ONU chegou ao Brasil com uma série de questões em aberto; a maioria delas foi resolvida”, destacou Sha. Ele ainda informou que o Host Country Agreement (Acordo do País Anfitrião) deve ser finalizado em breve, e que o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, espera que o documento seja assinado em uma reunião intersessional que ocorrerá ainda em março em Nova York. Este acordo firmado entre o governo brasileiro e a ONU determina todos os aspectos de cooperação e logística para a realização da Conferência.
Na ocasião também foi anunciado que a bandeira da ONU será hasteada no Riocentro no dia 5 de junho em uma cerimônia oficial. A partir de então, até o final da Conferência, o Riocentro passará a ser considerado território da ONU.
Segundo Sha Zukang, o diálogo entre os representantes da ONU para a Conferência e os responsáveis pelo evento no Brasil tem sido excelente. “O esforço e a dedicação que estão sendo empregados pelo país para a realização da Rio+20 são impressionantes”, disse. Ele se disse confiante no sucesso da Conferência.
A Rio+20 promoverá discussões em sete áreas prioritárias: energia, alimentação e agricultura, emprego e sociedade inclusiva, cidades sustentáveis, água, oceanos e desastres naturais. Cerca de 50 mil pessoas são esperadas no evento, que será realizado de 20 a 22 de junho, no Riocentro. A expectativa dos organizadores é de que mais de 120 chefes de Estado estejam presentes para este Encontro de Cúpula. Segundo a Ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, mais de 70 delegações já confirmaram presença. Eventos paralelos devem ocorrer a partir do dia 13 de junho em locais específicos, com foco na participação da sociedade civil.
Agenda em Brasília
Em sua chegada à capital brasileira, na quarta-feira (07/03), Sha Zukang reuniu-se em Brasília com o Diretor Técnico do SEBRAE, Carlos Alberto dos Santos. Na quinta-feira pela manhã, participou de uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, seguida de audiência com o Presidente da Casa, José Sarney. À tarde, o dirigente reuniu-se com o Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, Subsecretário-Geral de Meio Ambiente, Energia e Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e sua equipe e, na sequência, participou de encontro na sede do PNUD com a Equipe de País, formada pelos representantes das agências e programas da ONU no Brasil.
A sexta-feira foi reservada para encontros com os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Sha Zukang finalizou o dia participando da abertura da 5ª Reunião da Comissão Nacional da Rio+20, realizada no MRE.
Durante entrevista coletiva na manhã de sexta-feira, no Ministério do Meio Ambiente, Sha foi enfático ao afirmar que as dificuldades que estão sendo enfrentadas pelo planeta em termos de sustentabilidade são inestimáveis, e por isso a importância da Rio+20. Ele lembrou das palavras ditas pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, que considera a Rio+20 “uma das mais importantes conferências na história das Nações Unidas”. De acordo com Sha Zukang, Ban elegeu cinco prioridades para seu segundo mandato à frente da ONU, e a Rio+20 é a primeira delas. “Vocês podem, então, imaginar quão importante esta conferência é, é a conferência sobre o futuro que nós queremos. É uma conferência que vai tratar da sobrevivência da humanidade”, ressaltou.
Sha Zukang também reforçou o conceito de desenvolvimento sustentável, explicando que “significa a integração de desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental”, e enfatizou que o Brasil tem dado exemplos de desenvolvimento sustentável que podem ser seguidos por outros países.
Para ele, o maior desafio da Rio+20 é a implementação de ações para a promoção de uma economia verde no contexto da erradicação da pobreza. “O mundo está se tornando cada vez mais insustentável”, disse. O Secretário-Geral considera que os documentos elaborados em conferências anteriores são “maravilhosos”, mas que continuam só como documentos. “Nosso trabalho não é falar, mas agir. Não percamos mais tempo em conversas, em apenas produzir papéis. É claro que temos de produzir documentos, mas é preciso implementá-los”, afirmou.

Igualdade de gênero traz crescimento econômico, diz Banco Mundial

(Maria Neves, da Agência Câmara) O vice-presidente do Departamento de Redução da Pobreza e Gestão Econômica do Banco Mundial, Otaviano Canuto, declarou nesta terça-feira (6) que manter as desigualdades entre homens e mulheres, além de ser moralmente condenável, é também uma “burrice econômica”. O relatório Igualdade de Gênero e Desenvolvimento, apresentado hoje pela instituição, aponta, pela primeira vez, que desigualdades de gêneros trazem prejuízos econômicos aos países.

Segundo Canuto, o estudo mostra que a produtividade de um país pode subir em até 25% apenas com a eliminação das desigualdades no emprego. “Se as mulheres que atuam na agricultura tivessem acesso igual a insumos – terra e fertilizantes – o produto agrícola subiria em até 4%”, acrescentou.

Justiça social
O mesmo relatório mostra que a ascensão de mulheres aos parlamentos estaduais na Índia levou a um aumento dos investimentos em recursos hídricos e à redução da corrupção. Enquanto nos Estados Unidos, a conquista dos direitos políticos por mulheres reduziu a mortalidade infantil “em algo que pode chegar a 15%”, defendeu Canuto.

Na opinião da deputada Flávia Morais (PDT-GO), esses dados comprovam que a entrada da mulher na política faz diferença. “Os projetos políticos passaram a ser diferentes, porque ela quer justiça social – uma boa educação, alimentos mais baratos, saúde de qualidade”, assegura.

Contradições
Nesta edição, o relatório aponta avanços significativos em algumas áreas nos últimos 30 ou 40 anos – principalmente em educação e participação no mercado de trabalho. Segundo o texto, as mulheres já representam 43% da força produtiva mundial e ocupam mais da metade das vagas do ensino superior. Enquanto o acesso de homens ao nível superior cresceu quatro vezes desde 1980 o das mulheres foi multiplicado por sete.

O estudo, no entanto, também chama a atenção para aspectos que mudaram muito lentamente ou não evoluíram. É o caso da violência doméstica. Segundo o texto, 510 milhões de mulheres sofrerão abuso de seus parceiros ao longo da vida. Estima-se que somente em São Paulo haja 1,6 milhões de vítimas, 27% do total.

Falta de voz
A violência contra a mulher é apontada no texto como consequência direta da falta de voz na sociedade e na tomada de decisões pelo sexo feminino. Embora 136 países já reconheçam na lei a igualdade de gênero, a representação parlamentar feminina no mundo soma apenas 19%.

Nesse item o Brasil está em situação de enorme desvantagem – ocupa a 116ª posição, com menos de 8% de mulheres na Câmara, e uma média de 9% nas assembleias e no Senado. No Executivo, menos de 20% dos cargos importantes são ocupados por elas.

O estudo do Banco Mundial também aponta que, embora a expectativa de vida das mulheres tenha aumentado em 20 anos desde 1980, em muitas regiões, principalmente as mais pobres, elas ainda morrem mais precocemente. Os dados mostram, por exemplo, que na África subsaariana morrem 751 mil mulheres em idade reprodutiva a mais que homens a cada ano.

Voto feminino

Neste ano em que o País comemora 80 anos do voto feminino, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) ressaltou que essa conquista, apesar de importante, não se traduziu em mudanças efetivas. “Países em que as mulheres tiveram direito de votar mais tarde hoje estão em situação muito melhor”, destacou. Esse seria o caso da Argentina e do Chile, que, segundo afirma, destinam quase 50% das vagas do Parlamento ao sexo feminino.

Na opinião da parlamentar paulista, a melhor maneira de corrigir a situação brasileira é por meio da adoção de lista pré-ordenada para as eleições legislativas e de financiamento público de campanha. “Com as listas seria possível garantir a paridade de gênero nos pleitos. Já o financiamento público exclusivo representa a única forma de conseguir eleições realmente livres e democráticas”, defende Erundina.

Seminário

O relatório Igualdade de gênero e desenvolvimento foi apresentado durante o Seminário em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, realizado pela Procuradoria Especial da Mulher da Câmara. Durante o evento, a procuradora, deputada Elcione Barbalho (PMDB/PA), destacou que nesta quarta-feira (7), às 10 horas, será formalizado convênio com o Banco Mundial para a transferência de 305,5 mil dólares a Câmara para investimentos em atividades voltadas à promoção da igualdade de gênero.

Acesse em pdf: Igualdade de gênero traz crescimento econômico, diz Banco Mundial (Agência Câmara - 06/03/2012) 

Senado suspende projeto que pune salário menor à mulher

(Gabriela Guerreiro, da Folha de S.Paulo-DF) Governo recua e nove parlamentares garantem suspensão de texto polêmico. Dilma chegou a dizer a interlocutores que sancionaria projeto; empresa teria multa se provada discriminação.

Pressionado por empresários, o governo recuou da decisão de sancionar o projeto que equipara os salários de homens e mulheres que ocupam as mesmas funções em uma empresa.

O projeto foi aprovado pelo Senado nesta semana, mas, como não passou pelo plenário, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) apresentou recurso para que o texto seja rediscutido pelos parlamentares.
Na prática, a aprovação do projeto foi suspensa pelo líder governista -o que o torna sem nenhum efeito.
Pelo regimento interno do Senado, quando um projeto é aprovado em caráter terminativo por uma comissão, ele não precisa passar pelo plenário, a não ser que haja recurso assinado por pelo menos oito senadores.
Nove parlamentares apoiaram o recurso do líder do governo e apresentaram emendas ao texto, o que obriga a sua rediscussão.
"Nós queremos amarrar melhor, têm algumas partes que não estão claras, especialmente com relação à legislação trabalhista, o que pode gerar demandas judiciais", disse Jucá.
MULTA DE CINCO VEZES
A presidente Dilma Rousseff chegou a anunciar a interlocutores que sancionaria o projeto na terça-feira, quando deve ir ao Congresso participar de comemoração pelo Dia Internacional da Mulher. Mas voltou atrás ao ser informada de que o texto poderia sofrer questionamentos judiciais por empresários.
Com o recurso, o projeto retornará à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Relator do texto, o senador Paulo Paim (PT-RS) havia acelerado sua tramitação para tentar sancioná-lo na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher.
O projeto estabelece multa à empresa de cinco vezes a diferença entre as remunerações durante o período de contratação da funcionária que receber menos que o homem. A funcionária precisaria provar igualdade de função com o colega melhor remunerado.
O pagamento deve ser feito diretamente à empregada, mas o projeto não detalha critérios para a compensação, o que teria de ser feito por meio de lei complementar.
O governo entendeu que, sem o detalhamento, o texto poderia ser facilmente questionado na Justiça, provocando uma enxurrada de ações.
Acesse em pdf: Senado suspende projeto que pune salário menor à mulher (Folha de S.Paulo - 09/03/2012) 


"Não há dúvida de que o preconceito contra a mulher é forte no Brasil e que cabe ao poder público tomar medidas para reduzi-lo. Pergunto-me, porém, se faz sentido esperar uma situação de total isonomia entre os gêneros, como parecem querer os discursos de políticos. (...) Como mostra Susan Pinker, em "The Sexual Paradox". não se pode mais negar que há diferenças biológicas entre machos e fêmeas. Elas se materializam estatisticamente (e não deterministicamente) em gostos e aptidões e, portanto, na opção por profissões e regimes de trabalho. Para Pinker, as mulheres seriam mais felizes se reconhecessem as diferenças biológicas e não perseguissem tanto uma isonomia impossível." - Isonomia impossível, por Hélio Schwartsman (Folha de S.Paulo - 10/03/2012)
"Outro recuo foi na cobrança de multa para empresas que paguem salários diferentes para mulheres e homens em funções iguais. Na quarta, a Câmara aprovou, Dilma comemorou e até anunciou que iria pes-soalmente ao Congresso para a sanção. Na quinta, líderes governistas no Senado acataram o chororô patronal e a Casa Civil subitamente passou a achar o texto "mal redigido". Conclusão: o projeto, tão comemorado, subiu no telhado. Era para ser um, vai ser outro. E sabe-se lá quando. Dilma vai ao Congresso, mas sem sancionar coisa nenhuma." - Recuo dos recuos, por Eliane Cantanhêde (Folha de S.Paulo - 11/03/2012)
Leia também: 
"Três pontos considerados polêmicos ainda devem ser discutidos pelos líderes partidários antes que os projetos que garantem a igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho (PLs PL-6653/2009 e 4857/09) sejam levados a votação no Plenário. Segundo a relatora da matéria, deputada Iriny Lopes (PT-ES), três pontos das propostas poderão encontrar resistência entre os parlamentares. São eles: a criação de comitês pró-igualdade entre os sexos no ambiente de trabalho, o acesso dessas comissões a informações das firmas e ainda a criação de um cadastro das empresas que discriminam mulheres." - Falta acordo para projetos sobre igualdade de gênero no trabalho, diz relatora (Agência Câmara - 08/03/2012) 

Mulheres brasileiras ainda ganham quase 30% a menos que os homens, diz IBGE

Luciana Lima, da Agência Brasil, com colaboração de Vladimir Platonow-RJ) As mulheres brasileiras continuam ganhando menos que os homens, e essa diferença salarial não diminuiu no Brasil nos últimos três anos. É o que aponta o estudo Mulher no Mercado de Trabalho: Perguntas e Respostas, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.
De acordo com o levantamento, as mulheres receberam, em média, 72,3% do salário dos homens no ano passado. Essa proporção, de acordo com o IBGE, mantém-se inalterada desde 2009.
A diferença já foi maior em anos anteriores, chegando a 70,8% em 2003. Para a pesquisadora do IBGE Adriana Beringuy, uma das organizadoras do estudo, os avanços, ocorrem em ritmo lento.“As mudanças acontecem, mas são bem graduais. Esse percentual, de 72%, é o mesmo desde 2009. Já foi pior mais para o início da década, mas ainda assim persiste essa diferença”, enfatizou.
O levantamento demonstrou ainda que a jornada de trabalho das mulheres é inferior à dos homens. No ano passado, as mulheres trabalharam, em média, 39,2 horas semanais, contra 43,4 horas dos homens, uma diferença de 4,2 horas. Mas, de acordo com o estudo, 4,8% das mulheres ocupadas em 2011 gostariam de aumentar a carga horária semanal.
Os dados trabalhados pelo instituto são da base da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e abrangem seis regiões metropolitanas: Rio, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Salvador. Outro dado revelado pelo estudo é a preponderância das mulheres no serviço público, nos três níveis administrativos. Do total de mulheres ocupadas, 22,6% estavam no setor público, enquanto entre os homens, esse percentual era 10,5%. No setor público, 55,3% são mulheres e 44,7%, homens.
Para a pesquisadora do IBGE, entre as explicações para essa vantagem feminina no serviço público estão o grande número de mulheres ligadas à área de educação e também um ingresso mais forte de trabalhadoras nos últimos anos via concurso público.
“O que se percebe em 2011 é a continuidade, ainda que moderada, de ganhos entre as mulheres. Mesmo que haja algumas diferenças, a tendência que observamos, desde 2003, é que elas sejam reduzidas. É um processo lento, que demora décadas, mas está em curso.”
Já nos serviços domésticos, a população feminina ocupada está diminuindo. Passou de 7,6% em 2003 para 6,9% em 2011. No entanto, a mão de obra das mulheres ainda é predominante nesse setor (94,8%), percentual idêntico ao registrado em 2003.
As atividades que mais absorveram mão de obra feminina em relação a 2003 foram o comércio, em que a participação das mulheres cresceu de 38,2% para 42,6%, e os serviços prestados às empresas, com aumento de 37,3% para 42,0%.
O estudo apontou também um aumento da participação feminina no mercado formal, em comparação a 2003, quando a proporção de homens com carteira assinada no setor privado era 62,3%, enquanto a das mulheres era 37,7%, uma diferença de 24,7 pontos porcentuais.
No ano passado, o mercado formal comportou 59,6% de homens e 40,4% de mulheres, uma redução de 19,1 pontos porcentuais em comparação a 2003.
O estudo apontou, no entanto, que o maior crescimento da participação feminina foi observado no emprego sem carteira assinada no setor privado. Em 2003, as mulheres participavam com 36,5%. Em 2011, essa participação subiu para 40,5%.
No ano passado, as mulheres somaram 53,7% da população brasileira com 10 anos ou mais (idade ativa). Elas ainda ficaram em menor número do que os homens na população ocupada (45,4%). Em relação a 2003, houve crescimento de 2,4 pontos percentuais na população ocupada feminina.
O estudo apontou também avanço em relação à questão racial. Entre as mulheres pretas e pardas, a taxa de desocupação caiu de 18,2% em 2003 para 9,1% em 2011. Entre as brancas, o indicador teve redução de 13,1% em 2003 para 6,1% no ano passado.
Acesse em pdf: Mulheres brasileiras ainda ganham quase 30% a menos que os homens, diz IBGE (Agência Brasil - 08/03/2012)